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Entrevistando o mestre JAMIL JOANES

VOANDO NO BAIXO teve a oportunidade de entrevistar esse grande nome do contrabaixo brasileiro!!!


Jamil Joanes fez parte do Som Imaginário e da Banda Black Rio, grupo de soul music formado na década de 1970, a partir da junção de integrantes dos conjuntos “Dom Salvador e Grupo Abolição” e “Impacto 8”. No ano de 1979 Jamil Joanes foi convidado por George Duke, pianista norte-americano, para participar de seu 15º álbum “A Brazilian Love Affair” lançado pela gravadora Columbia. No ano de 1980, participou do “Festival MPB Shell”, da Rede Globo, no qual defendeu a música “Beatlemania”.


Em meados da década de 1980 formou um grupo de jazz-rock com Ricardo Silveira (guitarra), Zé Lourenço (teclados), Paul Lieberman (sax), Don Harris (trompete), Sérgio Souza (trombone) e André Tandetta (bateria). Jamil Joanes atuou em shows e estúdio com vários artistas, entre eles: Edu Lobo, Maria Bethânia e fez parte da banda de Gonzaguinha até a morte prematura do compositor em 1991. Ainda nos anos 90 gravou e realizou turnês ao lado de João Bosco. Desde meados dos anos 2000, Jamil Joanes passou a acompanhar Leny Andrade e incorporou-se ao grupo Baião de Cinco.Joanes também gravou e excursionou com nomes como, Elba Ramalho, Gal Costa, Luiz Melodia, João Bosco, Tim Maia e Toots Thielemans.


Jamil é um dos baixistas brasileiro com maior número de faixas gravadas em álbuns de diversos artistas! Confira AQUI a playlist (SPOTIFY) criada pelo baixista Áureo Lopes, parceiro do VOANDO NO BAIXO e criador do instagram @discosebaixos. Para acessar a playlist do JAMIL na APPLE STORE, clique AQUI



CONFIRA ABAIXO A ENTREVISTA: FRANCISCO FALCON: COMO E COM QUE IDADE VOCÊ COMEÇOU NA MÚSICA? O BAIXO FOI O SEU PRIMEIRO INSTRUMENTO?


JAMIL JOANES: Comecei na música aos 13 anos no grupo “Os Lord’s”, criado por 2 irmãos, José Maria e João Bosco Vasconcelos em Belo Horizonte, filhos de médico com Dona Mariínha, muito ligada à música, e a turma ensaiava na casa deles na Praça Urupês. No grupo haviam violões, guitarras, acordeon, escaleta, trompete, sax, percussões e um piano na sala principal, porém só as pessoas da casa podiam tocar. Era gente pra caramba no meu 1º ensaio, variando entre as idades 16 e 18 e eu era o mais novo com 13. O mais velho disse: “Precisamos de um baixista...temos violões, guitarras, mas não temos o baixista...”vc pode ser o baixista?” Ai eu disse que não tinha um baixo, nem violão, mas se arrumassem um, eu aprenderia. Havia um violão preto encostado no canto sem a 1ª corda, então o José Maria, quem tocava violão e guitarra, disse pra todos que conhecia um cara que consertava instrumentos, “acho que vi lá um baixo que ele estava fazendo e iria perguntar pro cara. Nisso, alguém pegou um pedaço de pano, tirou a poeira do violão preto, tirou a 2ª (Si) e me passou o violão preto com as cordas normais com o Sol, Ré, Lá e Mi e falou: Agora temos um contrabaixo e um baixista!! A garotada deu gargalhadas e gostou por eu entrar no grupo. Um mês depois chegou o baixo com o braço grosso desproporcional, um captador, e assim comecei a me acostumar com a ideia, ouvindo mais atentadamente a função do instrumento. Meu primeiro baixo foi feito a canivete, disseram. O tempo foi passando, tocando em festas particulares e hora-dançantes, esse grupo criou uma “caixinha” e assim compramos em São Paulo amplificadores, guitarras, teclados, microfones, P.A. pedestais, e um baixo Apollo Giannini, sendo esse um baixo de série que eu usei.




FRANCISCO FALCON: COMO SE PRATICAVA NA ÉPOCA? QUAIS ERAM OS HÁBITOS, OS RECURSOS?


JAMIL JOANES: Comprar discos eu não tinha dinheiro, então o que tocava no rádio em casa era minha informação. Alguns componentes do grupo que tinham melhores condições, compravam discos que estavam na moda tipo Beatles, Rita Pavone, Trini Lopez, Wilson Simonal, Jair Rodrigues, Golden Boys, Roberto Carlos e a turma da Jovem Guarda, orquestras brasileiras e internacionais, etc, mais executadas no rádio, pra que o grupo tivesse um repertório atualizado pra tocar nos finais de semana. Uma vez por semana, 2 ou 3 componentes se encontravam pra “tirar” as músicas nos tons originais e passar para os outros no ensaio de sábado. Eu não tinha amplificador na minha casa pra praticar, então eu sentava em um banco, prendia a vassoura entre minhas pernas, pressionava o cabo da vassoura entre baixo e meu corpo, colocando a parte superior do cabo atrás da minha orelha. Não sei como eu fazia, ficava torto com dores pela posição, mas dava certo e esse era meu amplificador. FRANCISCO FALCON: QUAIS SUAS INFLUÊNCIAS MUSICAIS?

JAMIL JOANES: Depois que eu chegava do colégio, tudo que tocava no rádio ou discos eu procurava tirar! Músicas boas ou ruins eu ouvia e procurava tirar pra tocar no violão e aprendendo novos acordes. Teoria zero; eu perguntava os nomes dos acordes a quem soubesse, decorando e memorizando os nomes dos sons, sem entender o porque das sétimas, diminuta ou aumentada. Qualquer música, mesmo que não tivesse no meu gosto eu tirava, caso tivesse em moda nos rádios, prestando atenção no baixo e nos acordes, tentando reproduzir. Em 1965 eu gostava dos Beatles e tirava todas no violão pra tocar na praça com a garotada da minha idade. As linhas de baixo do Paul (depois que eu entendi que George Martin arranjava tudo e definia como eles deveriam cantar e tocar), eu apreciava e tirava igualzinho. No ano 1969 a música Je Taime Moi Non Plus foi um grande sucesso mundial pela ousadia, mas o som do baixo, tocado de palheta, o glissando eu gostava de ouvir o baixo. Doobie Brothers, James Brown, Stones, Otis Redding, Frank Sinatra, Big Bands, Elvis Presley, Stevie Wonder, Herman Hermits, Chicago, Bread, Blood Sweat & Tears, e muitos outros. Essa era minha escola como aprendizado, porque eu não sabia aonde poderia estudar música. FRANCISCO FALCON: COMO COMEÇOU SUA CARREIRA PROFISSIONAL?


JAMIL JOANES: Aos 14 anos me tornei profissional na música na marra, porque meu pai era muito rígido e eu estava muito mal nos estudos. Sr Raimundo Joanes, pai de nove filhos na época, (depois veio o Jader caçula) sustentava a família inteira, e um dia ele chegou em casa com o boletim do colégio na mão furioso. Minhas notas estavam quase todas no vermelho, aí ele me disse que eu estava dando mais atenção à música do que aos estudos. Eu estudava no Colégio Cristiano Otoni, vinculado à Central do Brasil e assim os funcionários da empresa recebiam descontos nas mensalidades do colégio. Meu pai disse que assinaria aquele boletim horroroso, nas condições de que, eu teria de passar de ano no colégio, mas se não passasse de ano, nunca mais pagaria nada mais pra mim. Até que eu me esforcei no final do ano, mas a média anual foi abaixo do necessário e fui reprovado. Sabendo do resultado, papai me disse na frente da minha mãe e dos meus irmãos, que no meio do ano ele havia me avisado sobre a condição, e teria de cumprir com a palavra. “Comida e cama tem em casa, mas você vai ter que se sustentar, arranjar um trabalho pra bancar suas roupas, sapatos e principalmente pagar seus estudos”. Essas palavras de meu pai foram doloridas e somente anos mais tarde, eu pude entender o quanto o chefe da casa estava certo; “como a banda toca”. Pai é pai, me vendo frustado, procurou me orientar e incentivar a procurar um emprego direito porque a música é um hobby...não sustenta ninguém. Dias depois ele me levou a um alfaiate, bancou um terno pra eu arranjar um emprego. “Depois você me paga o dinheiro que foi investido”. Essa foi a lição mais importante da minha vida, enxergar a realidade e o futuro. Consegui um emprego pra vender cortinas japonesas, de casa em casa, em prédios de apartamentos no centro da cidade e não consegui vender sequer um produto. Tentei trabalhar em uma sapataria sem sucesso também, porque todos vendiam produtos com defeito, enganar o cliente, “empurrar” o produto e não me sentia bem e saí fora. Até que encontrei um trabalho por um bom tempo em uma fábrica de flâmulas nos fundos de uma casa de família, perto de casa. Somando esse salário e tocando em grupos, passei a pagar meus estudos, minhas roupas, meus sapatos e comecei a me tornar independente. Pela idade, eu não podia tocar na noite em bailes e boates, mas mesmo assim eu tocava escondido. Quando íamos tocar em bailes, vez em quando apareciam os fiscais de menores no salão e por várias vezes os mais velhos me escondiam nos cantos dos palcos, até que a fiscalização fosse embora. Assim eu tocava com Os Lord’s e outros grupos, onde me chamassem nessas condições do “escondido”. Nunca me flagraram no palco.


FRANCISCO FALCON: DESTAQUE TRES LINHAS DE BAIXO QUE VC GRAVOU QUE VC GOSTARIA DE CITAR?


JAMIL JOANES: Participei em muitas gravações quando o mercado do disco estava no auge e todas foram importantes pra mim. Linhas de baixo não sei dizer, o que viesse do cantor passando harmonia, do arranjador, e daí dentro da liberdade, acontecia naturalmente. Sucessos com o Gilberto Gil no disco (A Gente Precisa Ver O Luar e Pela Lente Do Amor), Rita Lee (Lança Perfume e Saúde) e todas da Banda Black Rio, Marcos Sabino (Reluz), João Bosco (Papel Machê) e outras que gravei. Muitas coisas eu gosto de relembrar por progredir e ser solicitado pra mais trabalhos no estúdio e nos palcos.


FRANCISCO FALCON: CONTE SOBRE SUA EXPERIÊNCIA NA BANDA BLACK RIO E COMO FOI A CRIAÇÃO DA LINHA DE BAIXO DA “MARIA FUMAÇA”?


JAMIL JOANES: Em 1976, eu morava na Rua Anchieta no Leme e meu hábito era tomar o café da manhã em uma padaria na esquina. Em um encontro casual, encontrei com o Oberdan Magalhães pra tomar um café, e a gente já se conhecia de trabalhos nas boates. Em um papo curto, Oberdan me convidou pra participar de uma banda que estava sendo formada. Explicou rapidamente sobre um projeto movimento black, envolvendo a gravação de um disco e comentou sobre algumas pessoas que já estavam confirmadas. Gostei muito do convite por falar do Cristóvão Bastos, Luiz Carlos e topei na hora, porém nesse encontro rápido na padaria, eu não imaginava a grandeza desse projeto. Dias depois foi marcada uma reunião com Oberdan Magalhães, Cristóvão Bastos, Cláudio Stevenson, Luiz Carlos, Barrozinho, Lúcio Trombone e eu, mais pessoas envolvidas com gravadora WEA. Ensaiamos por dois meses, 2 ou 3 dias por semana e as ideias surgiam. Cada componente sugeria no repertório, nas convenções, conduções, nada foi escrito e a evolução foi natural. Em cada ensaio as músicas tomavam formas, amadurecimento, interação na execução, na maneira de tocar. O fato da banda ensaiar bastante criou uma identidade sonora, infiltrado pelas personalidades. Assim pareceu a Banda Black Rio. Fizemos vários shows e cada vez que tocávamos o pau quebrava sem tensões, tudo era descontraído e divertido, resultante das ralações anteriores.É comum nos EUA e na Europa ensaiar bastante porque quebra o gesso, desprender das partituras e tocar natural. Aqui no Brasil, quando se forma uma banda para trabalhar com certos artistas, é normal fazer 2 ou 3 ensaios por hábito ou por questões econômicas, mas não é o amadurecimento resultante do desejado. Em outros trabalhos quantas vezes comentamos depois de 10 shows em turnês..pôxa vida, agora que ficou bom vai acabar...



FRANCISCO FALCON: VOCÊ GRAVAVA NA BLACK RIO COM O JAZZ BASS SOMENTE COM A CAPTAÇÃO DO BRAÇO? (É QUE, O TIMBRE É GRAVE, FECHADO, MAS NÃO PARECE SER GRAVADO COM BAIXO PRECISION, É UM POUCO MAIS SUTIL, QUANDO VOCÊ GRAVOU O CD “NA ONDA QUE BALANÇA” DO JOÃO BOSCO, TAMBÉM PERCEBI ESSA SONORIDADE.)


JAMIL JOANES: Nada especial na captação. Eu não interferi em qualquer tipo som, a não ser o chorus na Banda Black. Normalmente usei e uso em gravações com todos os captadores abertos. Coincidentemente, os discos “Maria Fumaça” da Banda Black Rio e “Na Onda Que Balança” do João Bosco, as mixagens foram feitas nos Estados Unidos.


FRANCISCO FALCON: O QUE VC CONSIDERA IMPORTANTE PARA O MÚSICO PROFISSIONAL? JAMIL JOANES: Se envolver com dedicação e com atenção em qualquer condição. A gente não sabe o que vem pela frente; já gravei de graça pra demonstração, com quem não tinha grana, mas tempos depois o resultado me recompensou de alguma maneira. Independentemente se é brega, se é sertanejo, música infantil. Importante é assimilar o que o produtor pretende, seguir a determinação do arranjador e interagir com o artista e com os músicos. FRANCISCO FALCON: ALGUM ARTISTA QUE VC NUNCA TOCOU E GOSTARIA DE TER TOCADO? JAMIL JOANES: Eu não poderia escolher com quem tocar, trabalhar; ser solicitado pra determinada função é um privilégio, ser lembrado por contribuir, e consequentemente é trabalho. Somos escolhidos pela condição de cumprir determinado objetivo. Muitos músicos qualificados tocam e gravam muito bem com envolvimento e partilhamento, provocando o sucesso acontecer. Existe espaço pra todos nós.


Agradecimentos aos amigos Juliano Cândido e Áureo Lopes que participaram da elaboração da entrevista!

 

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